Curso de Teoria de Música, Parte 4: Escalas gregas (escalas eclesiásticas) ou modos gregos (de Axel Bergstedt)

Além das escalas maiores e menores existem muitas outras escalas como a escala chinesa, a escala árabe, a escala cigana, a escala penta-tônica, a escala cromática etc. Na história da música europeia se destacam as escalas gregas ou modos gregos. Eles predominavam na época medieval e se desenvolveram sobretudo na música da igreja.

Os nomes se referem a tribos da antiga Grécia, que tinham línguas ou dialetos diferentes, mas também estilos arquitetônicos, formas de colunas e escalas musicais diferentes. Desta forma, apareciam o modo dórico (Dória), o modo frígio (da região da Frígia), o modo lídio (da Lídia), o modo jónio (da região da Jónia) e o modo eólio (da Eólia). Também aparece um outro — que é uma mistura dos modos lídio e dórico — denominado modo mixolídio. Atenção, as palavras iguais ou parecidas podem se referir também aos dialetos ou estilos arquitetônicos.
Até o século XV predominaram os tons dórico, frígio, lídio e mixolídio. Depois apareceram também o eólio e jônio que hoje são os modos menor e maior, e os primeiros cairam em desuso, fora algumas exceções.

Descobriu-se com o tempo, que as escalas na antiga Grécia não eram tão idênticas com as da época medieval como se pensava; inclusive alguns nomes são trocados. Por isso seria melhor falar em escalas eclesiásticas ou litúrgicas, ou então em modos eclesiásticos ou litúrgicos, mas se acha muito mais o termo "modo grego". Note então que estas nossas escalas gregas não são idênticas com as da antiga Grécia que podem ser comparadas na wikipédia alemã.

Assim como os dois modos Dó maior (antigamente jônio) e Lá menor (antigamente eólio) têm a mesma armadura mas terminam em outra tônica, também os outros modos têm a mesma armadura, mas terminam com outra tônica. Se o jõnio (hoje: maior) termina em Dó, o dórico termina em Ré, o frígio em Mi, o lídio em Fá, o mixolídio em Sol, o eólio (hoje: menor natural) em Lá e ou Lócrio em Si.





Exemplos dóricos: Canto gregoriano: Veni Redemptor gentium_Schola Cantorum Riga  
Hino 3 do Hinário Luterano (Ó Salvador, dos altos céus), no original alemão "Oh Heiland, reiss die Himmel auf", no modo dórico.

Johann Sebastian Bach: Toccata dórica
  

Ottorino Respighi " Quartetto dorico" Brodsky Quartet:
  

Improvisación modal (Modo Dórico) - Augusto Camerini : 


Exemplos frígios: Johann Sebastian Bach: Ó fronte ensanguentada (Coral Esperança, maestro Axel Bergstedt):
  
"Ó fronte ensanguentada" na versão do Hinário Luterano Cifrado por Axel Bergstedt. Sempre é difícil harmonizar os modos litúrgicos ou gregos, já que as harmonias e as leis de harmonização são das épocas posteriores que nem usaram mais muito esses modos antigos. Em parte ele pode ser harmonizado como se fosse em Lá menor, em parte como Dó maior. Sobretudo o fim com o tom Mi dificulta. Por isso tem aqui três possíveis soluções, que terminam com C ou E. Também um fim em Am seria possível.


Exemplos lídios: Introdução de Cluster one de Pink Floyd  
O canto é lídio porque tem um sustenido. Se fosse Sol maior, terminaria em Sol, mas ele  termina com Dó, o que é o quarto grau a partir de Sol. Então é lídio. (Se terminasse em Lá seria dórico e se terminasse em Si seria frígio)


Exemplo mixolídio: 
Hinário Luterano 97 "Ouves no calvário" melodia 1 (Em inglês: Penitence) de Spencer Lane (1843 -1903)


O eólio e o jônio estão na forma menor e maior ônipresentes na música, enquanto o lócrio nunca foi realmente usado. Tem, porém, em alguns países música folclórica em pequena escala, e diversas tentativas no jazz e outros gêneros da música, mas tudo pouco conhecido.O mixolídico se acha também em músicas folclóricas nordestinas no Brasil.

Existe também uma escala lídia com sétima menor, também chamada escala acústica. Exemplo bem divulgado: O tema de Os Simpsons:


Modos autênticos e plagais:
No canto medieval, sobretudo na salmódia (canto dos salmos) se diferenciava entre os tons autênticos e plagais. Se uma música dórica tem o âmbito de Ré até o outro Ré, como o exemplo "O Salvador, dos altos céus" em cima, é autêntico. Mas se fosse assim que a melodia começasse em Ré e subisse somente até a quinta (mais ou menos) e ao outro lado também descesse uns três ou quatro tons para baixo dele, assim que o Ré ficasse no meio, o modo continuaria ser chamado de dórico, mas mais exato hipodórico. "Hipo" é grego e significa "em baixo", porque a melodia vai também em baixo do tom principal.

Na salmódia (canto dos salmos) o tom da recitação, onde se cantam normalmente muitas sílabas no mesmo tom, é muito importante. Os cantores treinados na salmódia sabem logo a maneira como cantar se o maestro exige, por exemplo, o terceiro tom. Eles recitam a maioria do texto no tom da repetição (repercussa, tuba ou também chamado de dominante) e finalizam no tom da tônica. Teve na época medieval os 8 tons que coincidem com os números na imagem, e mais um nono tom misto chamado de "tonus peregrinus".
Todos os modos plagais recebiam o prefixo "hipo". Em algumas igrejas a salmódia é praticada até hoje, por exemplo na igreja católica, embora que talvez muitos católicos nem a conhecem.
Em cima: Hipodórico (2º tom da salmodia). O Ré fica no meio, o fim é Ré, 
e a repetição (recitação) acontece em Fá. Muitas vezes se escreve em lugar
das cinco (ou mais) notas repetidas só uma nota branca sem haste, uma
semibreve, ou se puder, uma breve. Mas ela não demore realmente 4 ou
8 tempos, mas demora até terminarem as sílabas.


Os tons dos Salmos

Até hoje os salmos são cantados em algumas igrejas segundo de modelos antigos baseados nos primeiros 8 tons descritos em cima. Os modelos variam um pouco entre as igrejas. O tom da recitação (tuba, tenor, dominante) não aparece se é usada uma melodia mais desenvolvida. Mas a música termina em seu tom principal:

A abadia católica St, Meinrad, EUA, ensina os tons dos salmos já em notas modernas e oferece uma notação mais grave (Lower Key) e uma mais aguda (Higher Key) para grupos, que gostem de cantar mais agudos. Dependendo da altura mudam os acidentes (bemois e sustenidos). Em baixo o primeiro tom, ele tem sua dominante no quinto grau (nota Lá na versão sem acidentes), e termina no primeiro grau da escala dórica, como já aprendemos em cima. Mas o modelo não é simples, por isso existem também outros tons para as recitações:

 
 Normalmente os salmos são anotados em neumas, antecessores das notas. Elas não têm acidentes, porque no original não houve instrumentos para acompanhar os salmos, e assim os cantores escolheram a altura livremente. O exemplo do primeiro tom dos salmos em baixo tem o dó definido pela chave de Dó na linha superior. Por isso pode se entender, que a primeiro nota é um Fá, de onde se sobe para o tom da recitação Lá, que é a quinta da escala. Isso corresponde ao que foi mostrado em cima nos modelos. O modelo tem variantes, mas sempre termina em Ré, com exceção das últimas três variantes (g, g2 e g3), que terminam na quarta Sól e são exceções.


Veja aqui um outro livro, que traz mais variantes:

 


No trecho em cima se encontram também o segundo tom (II), que é hipodórico, e ou terceiro (III), que é frígio. No segundo tom a clave coloca o Dó na segunda linha. A melodia começa, então, com Sól, tem sua recitação em Dó, e termina com Lá. Se o segundo tom é hipodórico, deveria terminar em Ré, né?
Certo, mas seria muito grave para cantar, já que hipodórico exige que a melodia vá também para mais baixo do tom principal. Por isso fizeram uma transposição uma quinta para cima. Se fosse notado no sistema moderno, teria na frente um sustenido, mas no neumas antigas o sustenido só era notado na frente da respectiva nota. Já que não consta Fá nenhum na música, é difícil perceber que se trata de uma transposição.
Temos então uma escala dórica com um sustenido, que tem como tom principal o Lá. Já que se trata do Modo 2 ou Tom dos Salmos 2, o ámbito vai até uma quarta em baixo desse Lá, e o tom da recitação é Dó, a terça em cima do tom principal, o que corresponde aos modelos em cima.
Na abadia St. Meinrad se canta o segundo tom (Modo 2) dois ou um tom mais grave, então com um ou quatro bemois:
 Outro exemplo para o Modo 2 (Tom dos Samos 2):
O terceiro modo é frígio, vai em princípio de Mi até Mí e deveria ter o tom da recitação no sexto grau (Dó). O exemplo em cima (Office Psalm Tones) traz um modelo surpreendente, que não termina no tom principal. Já o Modo 3 da abadia St. Meinrad termina direitinho no tom principal, na versão sem acidentes é um Mi.

O próximo modelo traz como tom da recitação a quinta Sí, e também não termina no tom principal Mi.
Mais tons dos salmos se encontram nos sites www.saintmeinrad.edu/media/28538/Modal%20Psalm%20Tones%20(Mod).pdf  e
http://media.musicasacra.com/pdf/tones.pdf  e aqui:
 Tradução: Sic = assim, incipitur = se começa (compare no português: incipiente = iniciante), et = e, flectitur = se flexiona, se curva para baixo; mediatur = se medita, canta-se como parte média, atque = e, finitur = se finaliza: Assim se começa, assim se flexiona, e assim se medita, e assim se termina.
O Tom IV (hipofrígio) termina aqui com Mí, mas a recitação fica nesse modelo em Sol. 
O Tom V (Lídio) é bem regular, começa e termina com Fá e recita em Dó.
O Tom VI (hipofrígio) tem duas claves, se deve se decidir por uma, a outra é para uma alternativa mais aguda ou mais grave. Valendo a clave superior a música começa com Fá e recita em Lá, correspondendo com o esquema colorido em cima. Valendo a clave inferior, o tom começa e termina em Dó e recita em Mí.
O Tom VII, mixolídio, recita devidamente em Ré, mas o final não é Sol, mas Lá, que seria a segunda do Tom principal, ou com Ré ou Dó.
Já o oitavo tom dos salmos, hipomixolídio, recita como no modelo colorido em cima no Dó e começa e termina devidamente no Sol.


Curso de Teoria de Música, Parte 1

CURSO DE TEORIA  EM TRÊS NÍVEIS

Raul Blum - Francis Hoffmann - Axel Bergstedt
Escola Evangélica Luterana de Música, Cariacica, ES - Igreja Evangélica Luterana do Brasil


O curso está escrito em três ní­veis, que poderiam ser usados para três grupos em cursos intensivos de música. Alguns blocos com desenhos são definidos como imagens e podem ser aumentadas ou diminuidas com a ferramenta do seu servidor.
NIVEL I
Capítulo I – Introdução e propriedades da música
Capí­tulo II – Notação musical
Capí­tulo III – Articulações e ponto de aumento
Capí­tulo IV – Compassos
Capí­tulo V – Escala diatônica – Tom e semitom
Capí­tulo VI – Sinais de alteraração
Capí­tulo VII – Fermata
Capí­tulo VIII – Sinais de intensidade

Capítulo I – Introdução e propriedades da música
Se prestarmos um pouco de atenção, veremos que a música está presente em todos os momentos de nossa vida, seja no cantar dos pássaros, no balançar das árvores, no cair da chuva; a natureza mostra-se uma orquestra.
Temos, na música, sons de altura definida, e sons sob a forma de ruído, isto é, sem altura definida.
A música é a arte de combinar sons, ruídos e silêncio, combinados de acordo com as variações da altura, proporcionados segundo a sua duração e ordenados sob as leis da estética
A melodia, o ritmo e a harmonia são os elementos fundamentais da música
A melodia consiste na sucessão dos sons formando um sentido musical
O ritmo é o movimento dos sons regulados pela sua maior ou menor duração
A harmonia consiste na execução de vários dons ouvidos ao mesmo tempo, observadas as leis que regem os agrupamentos dos sons simultâneos.
Também temos como importantes elementos musicais a intensidade, propriedade do som sem mais forte ou mais fraco;  a duração, período de produção de um som; o timbre, propriedade identificadora da origem do som e; a altura, propriedade do som de ser mais grave ou mais agudo.

Capítulo II – Notação musical
1.     Notas
Os sons musicais são representados graficamente por sinais denominados notas; e à escrita da música dá-se o nome de notação musical
As notas são 7: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.

2.     Escala
Quando essas 7 notas são ouvidas sucessivamente formam uma série de sons à qual se dá o nome de escala.
Se a escala segue sua ordem natural (dó-ré-mi-fá-sol-lá-si) temos uma escala ascendente; seguindo em ordem inversa (si-lá-sol-fá-mi-ré-dó) temos uma escala descendente.



A pauta, entretanto, não é suficiente para conter todos os sons musicais. Por esse motivo, usam-se linhas chamadas suplementares superiores ou suplementares inferiores colocadas, respectivamente, acima e abaixo da pauta. Também são usados os espaços formados entre as linhas suplementares.
As linhas e espaços suplementares são contados de baixo para cima quando superiores e de cima para baixo quando inferiores. O número de linhas e espaços suplementares não é limitado, porém, não é comum usar mais que 5.



A clave de sol é escrita na 2ª linha.
A clave de fá é escrita na 4a linha (e raramente na 3a).
A clave de dó é escrita na 1a, 2a, 3a e 4a linha.
Cada clave dá seu nome à nota escrita em sua linha. Depois de termos definido uma nota podemos achar as outras contando dela para cima ou para baixo.

5.     Valores
Para representar as várias durações dos sons musicais são usadas figuras, também chamadas valores. Existem dois tipos de figuras, as chamadas notas (figuras de som) e as chamadas pausas (figuras de silêncio). Cada nota tem sua respectiva pausa:
             
                          semibreve        mínima        semínima          colcheia        semicolcheia       fusa            semifusa
         
                         




Capí­tulo III – Articulações e ponto de aumento
1.     Ligado (“Legato”)
A ligadura é uma linha curva colocada acima ou abaixo das figuras. Quando a ligadura compreende sons da mesma entonação (altura) indica que os sons ligados não devem ser repetidos. Recebe o nome de ligadura de valor



As figuras de som pontuadas podem ser substituí­das por notas ligadas, como nos exemplos.

(Além das ligaduras mencionadas existem ainda a ligadura da quiáltera (veja parte 2.3.) e a ligadura de expressão, que muitos usam como sinônimo da ligadura de frase, mas alguns alegam que às vezes a frase nem é tão ligada e mesmo assim se marca-a com uma ligadura para o músico a identifique mais fácil. A ligadura de expressão exige sempre uma articulação bem ligada.)

Capítulo IV – Compassos

1.     Generalidades
As figuras que representam o valor das notas não têm valor fixo. Para que as figuras tenham um valor determinado na duração do som esse valor é previamente convencionado, e é a esse espaço de duração que se dá o nome de tempo.
Assim, se estabelecermos que a semínima tem a duração de 1 tempo, a mínima valerá 2 tempos e a semibreve terá seu valor igual a 4 tempos. Já a colcheia valerá ½ de tempo, a semicolcheia ¼, e assim por diante.
Os tempos são agrupados dentro de uma combinação de compassos e serão:

                        Binários è se de 2 tempos por compasso
                      Ternários è se de 3 tempos por compasso
                  Quaternário è se de 4 tempos por compasso
                       Quinário è se de 5 tempos por compasso
Compasso de 6 tempos è se de 6 tempos por compasso
                    Septenário è se de 7 tempos por compasso
Compasso de 12 tempos è se de 12 tempos por compasso

Cada compasso é separado um do outro por uma linha vertical, o travessão. Na terminação de um trecho musical é posto um travessão duplo. Se a terminação for absoluta, o segundo travessão é mais grosso que o primeiro e recebe o nome de pausa final.

2.     Compassos simples
Compassos simples são aqueles cuja unidade de tempo é representada por uma figura simples, isto é, não pontuada.
Os compassos são indicados por uma fração posta no início da pauta, onde o numerador determina o número de tempos do compasso (unidade de compasso – UC), e o denominador determina a figura que valerá 1 tempo no compasso (unidade de tempo - UT).
Todas as notas servem para denominadores e o número que a representará está ligado com a sua proporcionalidade em relação à semibreve.
Os números que servem para numeradores nos compassos simples são: 2 (binário), 3 (ternário), 4 (quaternário). (Existem ainda 5 (quinário), 7 (septenário) e 12 (compasso de 12 tempos). Esses três últimos, porém, não serão trabalhados ainda por serem compassos mistos.)






Capítulo V – Escala diatônica – Tom e semitom

Sempre que duas notas diferentes são reproduzidas, nota-se uma diferença de altura entre elas. Essa diferença de altura é chamada de intervalo.
O intervalo pode ser maior ou menor, de acordo com a disposição das notas. A menor distância, porém, e é a que nos interessa no momento, na música ocidental, é chamada semitom. Se juntarmos dois semitons formaremos um tom.

1.     Escala diatônica
Sucessão de 8 sons conjuntos separados por intervalo de tom ou de semitom. A cada som, ou cada nota, da escala diatônica dá-se o nome de grau. Logo, a escala diatônica possui 8 graus, sendo o VIII a repetição do I. Cada grau possui seu respectivo nome, como se é mostrado:
   I grau – tônica                            V grau – dominante
  II grau – supertônica                  VI grau – superdominante
 III grau – mediante                    VII grau – sensível
 IV grau – subdominante           VIII grau – tônica



O I grau é o mais importante da escala. Todos os demais têm afinidade absoluta com ele.
O nome da escala é determinado pela tônica (I grau). Após a tônica, as notas de maior importância são a dominante (V grau) e a subdominante (IV grau).
Os graus da escala também se classificam como:

Conjuntos è quando sucessivos     Disjuntos è quando existe nota intercalada entre ambas

2.     Tons e semitons naturais
Os tons e semitons contidos na escala diatônica são chamados naturais










Capítulo VII – Fermata

Fermata: (italiano) Parada. Por exemplo chama se assim um ponto de ônibus.
A fermata é um sinal, que colocado acima ou abaixo de uma nota, ou pausa, indica que se deve prolongar a duração do som mais tempo que o seu valor estabelecido.
O valor da fermata depende da interpretação do executante, não tendo um valor determinado
Pode-se ainda acrescentar sobre a fermata as palavras longa ou curta, indicando uma sustentação maior ou menor do som.
               



Capítulo VIII – Sinais de intensidade
A variação dos sons fortes e fracos constitui o colorido da música, e é indicada, geralmente, por palavras italianas (quase sempre abreviadas), as mais usadas são:
Pianíssimo (pp) ----- fraquíssimo                  Morendo ---------------- desaparecendo o som
Piano (p) ------------- suave                            Diminuindo (dim.) ---- diminuindo
Mezzo-piano (mp) -- meio suave                   Smorzando (smorz.) -- extinguindo o som
Mezzo-forte (mf) --- meio forte                     Rinforzando (rinf.) ---- reforçando o som
Forte (F) ------------- forte                              Crescendo (cresc.) ----- crescendo










Curso de Teoria de Música, Parte 2.1.


Capítulo I - Sinais de repetiçãoCapí­tulo 
II - Sí­ncope e contratempoCapí­tulo 
III - QuiálterasCapí­tulo 
IV - Intervalos
Apêndice - Ciclo das quintas


Capítulo I – Sinais de repetição

1.     “Da capo” (do princípio)
Indica que se deve voltar ao início do trecho ou ao lugar em que se inicia, D.C.


O da capo só é usado para repetir um trecho mais ou menos longo. Também se usa o Da capo com as seguintes variantes:


2.     Expressões: 1ª e 2ª vez
Quando dois trechos são iguais, com variações apenas no final, usa-se as expressões 1ª e 2ª vez sobre os compassos que diferenciam os dois trechos.
 
A execuçao é compasso 1, compasso 2, compasso 1, compasso 3.

Capítulo II – Síncope e contratempo
1.     Síncope
Se uma nota executada em tempo fraco ou parte fraca de tempo for prolongada ao tempo forte ou parte forte de tempo seguinte temos o que se chama síncope.
A síncope produz efeito de deslocamento das acentuações naturais
A síncope pode ser regular ou irregular
- Regular: quando as notas que a formam têm a mesma duração




São muito comuns as síncopes regulares de quarto de tempo.
- Irregular: quando as notas que a compõem não têm a mesma duração



2.     Contratempo
Dá-se o nome de contratempo às notas executadas em tempo fraco ou parte fraca de tempo, ficando os tempos fortes ou partes fortes dos tempos preenchidos por pausas

O contratempo também provoca efeito de deslocamento da acentuação natural, porquanto o tempo sobre o qual deveria recair a acentuação é preenchido por silêncio.
Capítulo III – Quiálteras
1.     Generalidades
Quando as unidades de tempo e de compasso são subdivididas em grupos de notas que aparecem em maior ou menor quantidade do que normalmente deveriam em relação ao compasso, dá-se origem a um grupo de nome quiáltera. A quiáltera com três notas chama-se também de sequiáltera ou tercina.
Sobre esse grupo de valores alterados coloca-se o número correspondente à quantidade de valores utilizados, podendo ser acompanhado de uma chave, que abrange todo o grupo, ou de uma pequena ligadura, abrangendo o próprio número.
As quiálteras podem ser também constituídas por figuras de diferentes valores, ou ainda por valores de som e pausas entremeadas.(Exemplo: Hinário luterano 298)
Há duas espécies de quiálteras: aumentativas e diminutivas.

2.     Quiálteras aumentativas
São aquelas que alteram para mais a quantidade de notas previamente estabelecidas
As quiálteras aumentativas podem ser divididas em dois grupos: regulares e irregulares
São regulares as que contêm no grupo o número normal de figuras mais a metade. Será sempre um grupo de número par, com exceção do grupo de 3 quiálteras.
                  
São irregulares os grupos de número ímpar (exceto o de 3) e os de número par que não atendem às regras do grupo das quiálteras regulares.
Usam-se quiálteras aumentativas, normalmente, quando a figura que serve de unidade para preencher o número de quiálteras é uma figura simples (não pontuada). A quiáltera mais usada é a tresquiáltera, formada por três notas.
  
3.     Quiálteras diminutivas
São aquelas que alteram para menos a divisão normal.
As quiálteras diminutivas são usadas, normalmente, nas unidades ternárias (figuras pontuadas).
(São unidades ternárias: unidades de compasso dos compassos ternários simples; unidades de tempo dos compassos compostos; unidades de compasso dos compassos compostos. ¾, 6/4, 9/8, 3/2, 12/8 etc.)

Exercícios:1. Canta ou bate 8 colcheias seguidas por 12 colcheias tresquiálteras.
2. Bate com uma mão colcheias normais, com a outra trêsquialteras.(difícil!)
3. Estude “Momento novo” (...é hora de transformar)ou “O Homen quer seguir o seu próprio rumo” ou outras músicas com quiálteras.


Capítulo IV – Intervalos

Intervalo é a diferença de altura entre dois sons ou seja duas notas.
Exemplo: A diferença entre Dó e Ré é como um passo de uma primeira nota até a segunda. Por isso se chama o intervallo segunda. A diferença entre Mi e Lá é como da primeira até a quarta, contado a partir de Mi. O intervalo é uma quarta.

1.     Intervalos simples e compostos
                       Simples – quando contido numa 8ª
                       Composto – quando ultrapassa a 8ª



    
                
intervalos simples (2ª, 5ª,6ª)                                         intervalos compostos (9ª = 8ª+2ª, 11ª = 8ª+4ª)

 


2. Intervalos melódicos e harmônicos
                     Melódico – quando as notas são ouvidas sucessivamente
                     Harmônico – quando as notas são ouvidas simultaneamente

Os intervalos melódicos também podem ser classificados como ascendentes (primeira nota mais grave) ou descendentes (primeira nota mais aguda).

3. Classificação dos intervalos
De acordo com o número de tons e semitons que compõem o intervalo ele pode ser classificado como: maior, menor, justo, aumentado ou diminuto.
Maior, menor, aumentado, diminuto è Intervalos de 2ª, 3ª, 6ª e 7ª
Justo, aumentado, diminuto è Intervalos de 4ª, 5ª e 8ª

4. Intervalos consonantes e dissonantes
Intervalos consonantes são aqueles que não pedem resolução sobre outro intervalo. São eles:
-         3ª e 6ª maiores e menores (consonantes variáveis ou imperfeitos, por poderem variar a classificação sem, contudo, deixar de ser consonante).
-         5ª e 8ª justas (consonantes invariáveis ou perfeitos, porque não podem variar a classificação e continuarem consonantes).

São dissonantes aqueles que pedem resolução sobre um intervalo consonante. Eles são:
-         2ª e 7ª maiores e menores
-         Todos os intervalos aumentados e diminutos,

A 4ª pode ser consonância ou dissonância, dependendo do contexto. Por isso certos autores a chamam consonância mista. Duas vozes, sem acompanhamento, que formam uma quarta, são, em geral, dissonantes. (Ver Delta-Larousse, Enciclopédia, pág.4797)


5. Inversão
Inverter um intervalo consiste em transportar sua nota mais grave uma 8ª acima ou sua nota mais aguda uma 8ª abaixo.
Somente intervalos simples podem ser invertidos, já que os intervalos compostos, ao serem invertidos, perdem sua característica de intervalos compostos e transformam-se em simples.
Na inversão dos intervalos observa-se o seguinte:
A passa a ser                                A 5a passa a ser 4a
A passa a ser                                A 6a passa a ser 3a
A passa a ser 5a                               A 7a passa a ser 2a
A 8a justa quando invertida deixa de formar intervalo; transforma-se apenas na repetição de um som.
As 8a aumentada e diminuta invertidas passam a formar intervalo de semitom cromático.
Observa-se ainda na inversão dos intervalos que:
Os maiores tornam-se menores
Os menores tornam-se maiores
Os aumentados tornam-se diminutos
Os diminutos tornam-se aumentados
Os justos conservam-se justos



6. Quadro dos intervalos


 

 

 

Modificações mais imediatas que podem sofrer os intervalos:
·        Os intervalos maiores de 2a, 3a e 6a podem tornar-se menores
·        Os intervalos maiores de 7a podem tornar-se menores ou diminutos


·        Os intervalos justos podem tornar-se aumentados ou diminutos

 

 
Para identificar ou cantar um determinado intervalo é bom fazer-se uma lista de e exemplos. A lista deve ser personalizada.
1 Meio-tom, 2ª menor, como o início de Pour Elise (Beethoven)
2 meio-tons, 2ª maior, como Noite feliz ou Cai, cai balão, HL 347 "Tao como estou"
3 meio-tons, 3ª menor, Senhor, meu Deus, Noite feliz, ou HL 14 ou o grito do cuco
4 meio-tons, 3ª maior, Santo, santo (HL146) ou 5ª Sinfonia de Beethoven
5 meio-tons, 4ª, Cantai alegremente  ou Hino Nacional
6 meio-tons, 4ª aumentada ou 5ª diminuta, rara e difícil para cantar. Conheço como exemplo só Maria, Maria  da Westsidestory (Musical)
7 meio-tons, 5ª, Louva ao Senhor, potentíssimo, ou HL 32
8 meio-tons, 6ª menor, Tema do Love-story
9 meio-tons, 6ª maior, Por tudo, que tens feito(Te agradeço), ou HL 308: Com tudo que somos e temos
10 meio-tons, 7ª menor como no acorde C7
11 meio-tons, 7ª maior como em C7M, oitava menos meio-tom
12 meio-tons, 8ª. Se homens e mulheres ou crianças cantam o mesmo hino, os homens cantam naturalmente uma oitava mais baixo (grave). A diferença entre voz de homem e de mulher seria uma oitava.

(Duas notas iguais, distância de zero meio-tons,  se chamam também 1ª. A 1ª é justa, como a 8ª.
Se as duas notas são executadas juntas, por exemplo por soprano e contralto, se chama de uníssono. Tem também uníssono aumentado Re-Re#, que é como uma 2ª menor Re-Mib, e uníssono diminuto, Re-Reb.
Existem em casos extremos também intervalos superaumentadas como as 4ª superaum Fá-Si#, Dó-Fá", ou Réb-Sol#, e intervalos superdiminutos como a 4ª superdim Ré#-Solb.)

Exercícios: 1.O professor (ou o próprio aluno) toca uma nota e tenta cantar uma 4ª pra cima.
1.      O professor dá uma nota e o aluno canta uma 5ª pra cima (4ª pra baixo, 2ªM pra cima e pra baixo, depois 2ªm e depois terças.
2.      O professor toca quintas e quartas para o aluno identificar de ouvido.
3.      O professor toca segundas maiores e menores para o aluno identificar de ouvido.
4.      O professor toca terças maiores e menores para o aluno identificar de ouvido.
5.      Se tudo vai bem, o professor toca tudo misturado
6.      Incluam-se nos exercícios também sextas, sétimas, oitavas, nonas


7.      Determine os intervalos em hinos do hinário


8. Treina seu ouvido! Abaixa o programa Ear Training de graça e treine os intervalos e, se quiser, também outras coisas do programa.


A próxima parte (continuação de Nivel II) se encontra em: Curso de Teoria de Música 2.2.


Em baixo você já encontra ainda alguns ciclos (circulos) de quintas, que serão importante a partir do capítulo VI. O circulo mais simples mostra as tonalidades com o numero de acidentes. O colorido mostra também os nomes dos acidentes em cor amarela. As cifras azuis são os tons menores. Exemplo: Bm e D tem os acicentes Fá# e Dó#. O ciclo azul não é pra iniciante. Ele mostra  os nomes enharmônicos dos  tons.   Exemplo: Fá  é igual  a  E#,   só que o ton  E#   tem  11  acidentes,  complicadí­ssimo!

Aqui colocamos alguns ciclos (círculos) das quintas, que mostra, quantos acidentes tem uma respectiva tonalidade, e quais são os seus vizinhos.
Em uma música em C, como o hino Castelo forte, se usam os tons da escala em C. Os acordes podem ser escolhidos entre os seis vizinhos de C, que são G, F, Dm, Am, Em.
A música tem nenhum acidente (sutenido ou bemol) prescrito. Tem, porém, um pequeno trecho no meio, onde surge um Fá# na melodia. Nesse trecho temos então o tom G ou Em, que correspondem a um sustenido, e devemos usar os acordes vizinhos deles, como D ou Bm.
Talvez ainda não dê para entender bem, leia então os próximos capítulos VI até VIII, e X, e depois você entenderá melhor.